‘The Light Between Oceans’, a luz não chegou a acender

Quando um filme tenta quase desesperadamente apresentar material propício a ser nomeado para prémios, geralmente acaba por acontecer o contrário. The Light Between Oceans é um filme demasiado perdido nas suas próprias ambições. Ao tentar ser irrepreensível nos aspetos técnicos e logísticos, o realizador Derek Cianfrance esqueceu-se de encher a sua garrafinha da criatividade com o elixir fundamental a qualquer drama que se preze: emoção e empatia.

Adaptada de um romance de M. L. Stedman, a obra conta a história de Tom Sherbourne, um ex-combatente da Primeira Guerra interpretado por Michael Fassbender, que aceita o trabalho de faroleiro numa ilha deserta para a qual vai viver com a sua esposa Isabel (Alicia Vikander). Após dois abortos espontâneos, o casal encontra um bebé num barco que deu à costa e decide mantê-lo como sendo o seu filho recém nascido. Este acontecimento torna-se a força motriz do enredo abrindo possibilidade a múltiplas narrativas e desfechos melodramáticos. Porém, ficamos sempre com a sensação que no meio dos infinitos caminhos que podiam ter sido escolhidos para dar intensidade dramática a esta obra, ganhou sempre o mais ilógico.

Obstante as inconsistências, a narrativa dúbia é salva pelos atores principais que lhe dão corpo através de uma performance sentida e competente. A fotografia de Adam Arkapaw misturada com os constantes uivos do vento embala-nos num transe que quase nos faz esquecer que o filme não está a ser de todo empolgante. Arrancada a ferros, a nossa atenção acaba por ser estilhaçada por um terceiro ato a la Nicholas Sparks que desperdiça por completo a oportunidade de oferecer ao espetador a catarse emocional que este se disponibilizou a receber. Para além disso, o filme é marcado pela constante ameaça de metáfora ou mensagem mais profunda que acaba por não se materializar. A luz não chegou a acender.

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