‘Taboo’ – Primeira impressão

Quando há cerca de um ano começaram a surgir as primeiras informações de que iria estrear uma minissérie com Tom Hardy no papel principal, a curiosidade dos fãs do ator ficou no mínimo aguçada. Porém, as boas notícias não ficavam por aí. Estávamos perante um pacote bem mais recheado, não fosse a série produzida por Steven Knight, o criador da série Peaky Blinders na qual o ator britânico também participa. Para além desta dupla, Taboo também conta com Ridley Scott nas suas hostes. Sem dúvida uma equipa de luxo, que ameaça dominar 2017 com projetos aguardadíssimos. Enquanto Scott vai ressuscitar Alien e Blade Runner, o ator britânico vai estrelar em Dunkirk, o próximo filme de Christopher Nolan.

O primeiro episódio de Taboo é voraz e conciso, não perdendo um único segundo com apresentações ou o habitual suspense que muitos projetos televisivos tendem a criar. Em escassos minutos somos imediatamente arremessados para o cerne da questão. No princípio do século XIX, James Delaney (Tom Hardy), que toda a gente pensava morto depois de uma misteriosa viagem a África, volta a Inglaterra para reclamar a herança deixada pelo seu pai.  Prontamente, conseguimos perceber que este não reaparece com o intuito de fazer amigos, e em algumas sequências ligeiramente psicadélicas somos quase levados a acreditar que este tem poderes sobrenaturais. Tendo o escritor Chips Hardy (pai de Tom) optado por um estudo aprofundado da personagem interpretada pelo seu filho, as restantes personagens parecem desde início um pouco apagadas, o que não deixa de ser positivo, pois tudo indica que James Delaney será uma caricatura interessante de acompanhar, cheio de mistérios e com um cheiro a loucura que salta do ecrã. Para além disso, a sua caracterização é no mínimo invulgar, graças a uma vestimenta que parece ter sido retirada duma personagem dos livros de Charles Dickens. Independentemente da sua intermitência inicial, podemos contar com a participação de Oona Castilla Chaplin, que interpreta a meia irmã de Delaney, e Jonathan Price, o High Sparrow de Game of Thrones. Apesar de não aparecer no primeiro episódio, destaque ainda para a presença no elenco de Michael Kelly, que interpreta Doug na série House of Cards.

Acabamos o primeiro episódio com a sensação de que podemos estar perante um grande triunfo, se as premissas que são propostas realmente ganharem vida e os enigmas se materializem em eventos capazes de alimentar o olho. Para já, fica um começo contido que peca apenas pela tentativa frustrada de criar um elemento gótico e negro, esquecendo-se os criadores de oferecer momentos descritivos a nível paisagístico. Muita sugestão, pouco enquadramento real da Inglaterra noturna que é proposta, sobrando uma fotografia enclausurada e escondida apenas resgatada pelo magnetismo do protagonista. Em suma, Taboo tem tudo para dar certo, basta que os próximos episódios executem as ideias a que o capítulo inicial se propõe e que a componente visual se expanda para uma mundo mais rico e detalhado que ainda não foi mostrado. Para além da escuridão prometida, tudo indica que o espetador pode esperar vários jogos políticos e um Tom Hardy sedento de vingança.

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