Como Denis Villeneuve pode vir a revitalizar o cinema de género

Nos últimos anos tem existido uma tendência clara em olhar para os realizadores e criadores como os responsáveis máximos pelos franchises que dominam Hollywood. Tudo começou com George Lucas e o frenesim à volta da saga Star Wars, depois veio Joss Whedon com a Marvel e, mais recentemente, J.J. Abrams que ressuscitou Star Trek e realizou Star Wars: The Force Awakens, sentando-se agora na cadeira de produtor.

Com as notícias que apontam Denis Villeneuve como o próximo realizador do reboot de Dune (ainda agora saíram as fresquíssimas imagens da sequela de Blade Runner realizada pelo mesmo) parece que a “tocha” vai ser passada novamente , no entanto , com implicações redobradas pois tal como há doze anos atrás Christopher Nolan pegou nos destinos de Gotham City após a apresentação de projetos de alto gabarito (Memento, The Prestige), Villeneuve parece manifestar uma “pegada” criativa semelhante. Um realizador que apresenta trabalhos adultos e complexos, desprendidos do formato reciclável de Hollywood. Incendies (2010), Prisoners (2013), Enemy (2013), Sicario (2015) e Arrival (2016) que não só foi um dos filmes mais estimulantes dos últimos anos como provavelmente se irá tornar num clássico dentro do seu género. Estamos perante alguém com talento e capacidade técnica suficiente para revitalizar estes franchises proeminentes que prometem vir a intrometer-se entre os “suspeitos do costume” e que por si sós estão repletos de conteúdo que implora por um toque fresco e original. E que, contrariamente a Abrams ou Lucas, não tem qualquer tendência comercial a proteger pois não é dono de nenhum estúdio ou produtora. Um artista livre e desimpedido, com currículo suficiente para poder fazer valer a sua autoridade criativa perante as exigências dos estúdios e das empresas adjacentes que muitas vezes interferem no processo de edição.

Ainda é muito cedo para o dizer, mas talvez Denis Villeneuve seja a lufada se ar fresco que o cinema de género precisa. Um cineasta competente e sem medo de arriscar, que não esteja preso às amarras da indústria cinematográfica pro-lucro que altera argumentos, refilma cenas e muda personagens simplesmente por questões monetárias e necessidade de agradar às massas. Esperemos por Blade Runner 2049 e aí verificaremos se este prognóstico é acertado ou se o realizador canadiano caiu na armadilha induzida por um síndrome qualquer causado pelos blockbusters de trabalhar para o aceitável em vez de almejar a excelência.

 

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